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quinta-feira, 5 de julho de 2012

A importância do professor de Educação Física nas escolas


 Opinião "A Tribuna"

| Edenilson José Prudêncio | CREF 002425/G - Professor de Educação Física

      Historicamente a Educação Física passou por diversas transformações e entendimentos no âmbito escolar, conforme consta nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), passando pelo higienismo, militarismo, até sofrer forte influência dos pensamentos pedagógicos. 

      A partir daí, iniciam-se algumas tendências pedagógicas no âmbito escolar através de abordagens, sendo elas a psicomotora, construtivista, desenvolvimentista e crítica. Dessa forma, com novas pesquisas e estudos, a Educação Física Escolar vem inovando e proporcionando aos educandos novas formas de ensino/aprendizagem em busca de novos conhecimentos.

      Hoje a Educação Física em âmbito escolar é uma disciplina que atua desde a educação infantil, passando pelo ensino fundamental I e II, ensino médio, EJA e também com atuação nas universidades.

      Em cada grau de escolaridade, a Educação Física Escolar tem sua atuação planejada conforme a idade e a capacidade de entendimento do educando, desenvolvendo com responsabilidade os conteúdos previstos.

      Não existe nenhum documento oficial que dispense o aluno da prática da Educação Física, a não ser os já existentes na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) 9394 Lei nº 10.793.

      Ou seja, os alunos praticantes de atividades em academias e modalidades esportivas de treinamentos não poderão ser dispensados da prática da Educação Física, pois a disciplina desenvolve atividades e habilidades da cultura corporal de forma que os alunos possam praticar e refletir. Pelo que podemos entender, as escolas que dispõem desses níveis de ensino devem obrigatoriamente oferecer aos alunos a disciplina de Educação Física.

      Quanto à resolução publicada no DOU - Diário Oficial da União - no dia 9 de dezembro de 2010 (que desde então vem causando polêmica), que fixa Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental de nove anos. "Art. 31 Do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, os componentes curriculares de Educação Física e Artes poderão está a cargo do professor de referência da turma, aquele com o qual os alunos permanecem a maior parte do período escolar, ou de professores licenciados nos respectivos componentes”.

      O artigo propõe a dispensa do professor de Educação Física das escolas. Então questionamos o que esses professores iriam ensinar aos alunos, pois eles não possuem formação adequada para atuarem como professores de Educação Física, pois hoje um professor de Educação Física, para atuar em uma escola, deverá no mínimo estar cursando a sétima fase do Curso de Educação Física, pois se acredita que a partir dessa etapa o professor estará apto a desenvolver as atividades que vão ao encontro da disciplina.

      Como professores de Educação Física temos um papel de suma importância dentro da escola, assim como os demais professores em suas disciplinas. Nossos ensinamentos rompem as barreiras das quatro bolas (futebol, handebol, voleibol e basquetebol), pois somos também pesquisadores e nos especializamos nessa área do saber para proporcionar à comunidade escolar um ensino de qualidade.

       Trabalhamos com princípios de inclusão e diversidade, dando oportunidade a todos de forma igualitária, respeitando suas capacidades conforme sua idade ou dificuldade.


EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA

 
Geralmente a Educação Física na escola é vista como uma disciplina complementar, como se ela fosse menos importante do que Matemática, História ou Língua Portuguesa. Será que é verdade? É preciso compreender que a Educação Física é uma disciplina obrigatória do currículo escolar e que apresenta características próprias, como veremos a seguir.
O termo Educação Física pressupõe a ideia de controle do corpo ou, ainda, de controle do físico. Educar, desde o século XVII, é uma ação que está intimamente relacionada à disciplina corporal: a separação proposta por Descartes, entre corpo e mente, torna-se base de todo o processo educacional ocidental. Fato bastante visível nas salas de aula: o corpo fica sentado e parado, sem “atrapalhar” o exercício de raciocínio e de aprendizado feito pela mente.
A princípio, a Educação Física, quando inserida no currículo escolar, era tida como um momento para a prática da ginástica, com a finalidade de deixar o corpo saudável. Após muitas reformas na própria ideia de Educação Física, atualmente ela é uma disciplina complexa que deve, ao mesmo tempo, trabalhar as suas próprias especificidades e se inter-relacionar com os outros componentes curriculares. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), documento oficial do Ministério da Educação, a Educação Física na escola deve ser constituída de três blocos:

Jogos, Ginásticas, Esportes e Lutas    Atividades rítmicas e expressivas
Conhecimentos sobre o corpo

Segundo o documento, essas três partes são relacionadas entre si e podem ou não ser trabalhadas em uma mesma aula.
O primeiro bloco, “jogos, ginásticas, esportes e lutas”, compreende atividades como ginástica artística, ginástica rítmica, voleibol, basquetebol, salto em altura, natação, capoeira e judô. O segundo bloco abrange atividades relacionadas à expressão corporal, como a dança, por exemplo. Já o terceiro bloco propõe ensinar ao aluno conceitos básicos sobre o próprio corpo, que se estendem desde a noção estrutural anatômica, até a reflexão sobre como as diferentes culturas lidam com esse instrumento.
A Educação Física tem uma vantagem educacional que poucas disciplinas têm: o poder de adequação do conteúdo ao grupo social em que será trabalhada. Esse fato permite uma liberdade de trabalho, bem como uma liberdade de avaliação – do grupo e do indivíduo – por parte do professor, que pode ser bastante benéfica ao processo geral educacional do aluno.

Por Paula Rondinelli
Colaboradora Brasil Escola
Graduada em Educação Física pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP
Mestre em Ciências da Motricidade pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP
Doutoranda em Integração da América Latina pela Universidade de São Paulo - USP